Resenha: Colossal

Monstros fazem parte do imaginário humano desde que somos capazes de abstrair e representar o temível desconhecido.  Segundo o autor Bernard Evslin em seu livro ‘Heróis, Deuses e Monstros da Mitologia Grega’: “Na mitologia grega, tanto os heróis quanto os monstros são gerados pelos deuses… Em outras palavras, tanto o bem quanto o mal descendem dos deuses. O bem é uma energia divina que se expressa por meio de heróis virtuosos. O mal é a mesma energia, só que invertida.” O diretor Nacho Vigalondo se utiliza desta mitologia para construir seu drama fantástico: Colossal.

Atenção Spoilers Leves (nada que o trailer não mostre)

Na película Anne Hathaway interpreta Glória. Festeira, desempregada e sem controle, ela é expulsa do apartamento que morava com o namorado (Dan Stevens), em Nova York, após mais uma noitada regada a álcool. Sem outro recurso, ela retorna a sua cidade natal, onde encontra um antigo amigo de colégio, Oscar (Jason Sudeikis), que ao colocar a fofoca em dia lhe oferece um emprego em seu bar. Glória que tentava fugir do circulo vicioso do álcool acaba se repetindo e após uma noite de ressaca, e uma ligação mal correspondida com seu ex, descobre que há um monstro atacando a cidade de Seul, na Coréia e que de alguma forma, ele está conectado com suas ressacas.

Ainda segundo Bernard Evslin: “O nascimento de um monstro é cercado de fúria, e é isso que o torna monstruoso:a ira de um deus — ou, mais frequentemente, de uma deusa —, que produz em carne e osso uma criatura perigosa e horripilante.”

Glória é a típica personagem que os americanos chamam de “trainwreck”; desgovernada, descompensada e sem nenhum planejamento para sua vida. Acreditando que apenas pelo seu charme e beleza, será sempre perdoada pelos erros, até perder o namorado e onde morar. Neste momento, ela entende que sua vida viciosa, gera influencia negativa na vida de outros, fato este que se torna exacerbado apenas quando ela compreende que o Monstro que ataca a Seul, fere e destrói a vida de pessoas que ela nem conhece. Levando Glória a reconhecer seus erros e tentar ser uma pessoa melhor.

Poderíamos aqui acreditar no final feliz, mas o diretor guarda algumas surpresas agradáveis ao dividir a história com alguns personagens secundários, que auxiliam o caminho do herói, ao se mostrarem reflexos dos problemas que a heroína queria esconder de si mesma.

Um bom filme, com uma metáfora elegante, que vai atingir de forma diferente os espectadores.

Título: Colossal

Direção: Nacho Vigalondo

Roteiro: Nacho Vigalondo

Estrelando: Anne Hathaway, Jason Sudeikis, Austin Stowell, Tim Blake Nelson, Dan Stevens

Duração: 110 min

Avaliação: 

Nerds de natureza, filhos de Odin, com ascendente em Murphy.
Apaixonados por cinema sempre escrevemos sobre filmes e cultura. E após uma dezena de blogs falidos, fundamos a mega corporação NerdLife. Uma companhia com muitas ideias na cabeça e nenhum dinheiro no bolso.
Powered by WP Review

One thought on “Resenha: Colossal

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *